Iansã - a história da guerreira

Conheça a história desta Orixá maravilhosa, venerada na Umbanda e Candomblé, em todo o Brasil e no Mundo: Iansã Oyá - uma mulher a frente do seu tempo. Epahei Oyá :)


"Vamos chamar o vento", escreveu Dorival Caymmi e cantou Maria Betânia

Contar a história de Iansã é dar um voto ao poder feminino. É mostrar a beleza interna de uma Orixá que defende a homens e mulheres, venerada no mundo inteiro e que é uma grande guerreira por natureza.


Preparado para uma tempestade de amor e conhecimento? Então seja bem-vindo a história de minha mãe Iansã :)


Iansã: a guerreira africana escolhida por Deus!


Iansã era uma linda jovem que vivia em uma mata na África, criada pelo seu pai adotivo Odulucê - considerado o maior caçador de sua época - e que foi educada para a defesa e sobrevivência de forma independente.


Iansã Oyá possuía as principais características das conhecidas guerreiras Amazonas, o que contraria o popular preconceito de que mulheres não caçam, não lutam ou, em um contexto mais atemporal, são "o sexo frágil". Era ela, definitivamente, uma mulher a frente de seu tempo.


Sempre estimulada por seu pai, a bela Iansã vivia em busca de novos aprendizados, o que fazia dela uma moça de inteligência notável e com forte personalidade. Dentre os maiores valores passados por Odulucê, estava a humildade de aprender com os demais, embasada na crença de que cada ser é dono de uma verdade absoluta e única. Ensinamento este, digno de destaque neste parágrafo.


Criada sob o direito de liberdade de ação e pensamento, a menina Iansã cresceu, sem se enquadrar em um injusto conceito de gênero (feminino ou masculino). Era simplesmente um ser único e de luz, filha de Deus - assim como nós.


Como Iansã se tornou uma poderosa Orixá?


Quando Odulucê faleceu, Oyá se entristeceu (claro). Contudo, havia aprendido com seu pai sobre o poder de um Deus maravilhoso que nos guarda para a eternidade, e por isso sabia que aquele aperto de saudade no coração seria temporário.


Então, para saudar a passagem de Odulucê para o plano espiritual e assim fazer jus aos ensinamentos que lhe foram passados, Iansã decidiu saudar a vida eterna de seu pai. Organizou uma grande celebração em seu reino: juntou os pertences mais queridos de Odulucê, e colocou-os sobre um pedaço de pano. Preparou os seus comes e bebes favoritos e ali em seu reino, durante 7 dias consecutivos, comemorou a vida daquele que a criou.


Durante toda a celebração Oyá emanou cânticos de amor e gratidão ao pai, e com toda a sua energia e charme, dançou alegremente. Dos pés de Iansã, um vento surgia e assobiava mata a fora, atraindo assim a atenção de todos que pelos arredores passavam (e se encantavam com o agradecimento e beleza daquela jovem africana). Naqueles dias os maiores caçadores de toda a Terra foram atraídos pela força e pela fé de Iansã!


Ao sétimo dia, ao fim da celebração, Iansã embrulhou todos os pertences do pai no pedaço de pano e os enterrou ao pé de uma árvore sagrada da África, como forma de eternizar através do ciclo da natureza, a força e o amor daquele homem.


Olorum, popularmente conhecido como Deus (sim, o nosso Criador :), se comoveu com o gesto de amor de Iansã, através da celebração que a mesma promoveu em memória de seu falecido pai.


Como recompensa pelo bem que Odulucê fez àquela jovem amazona, Olorum fez do pai de Iansã um Orixá, assim eternizando-o.


Como recompensa à Oyá, Deus tornou-a rainha (Orixá) dos mortos no caminho sagrado, concedendo a mesma o poder de orientação e benção aos espíritos desencarnados. Oyá ganhou, ainda, o título de "Orum Aiê" (olham quanta responsa!) e o seu gesto de carinho, ao enterrar os pertences do pai, foi proclamado como um ato obrigatório em memória e agradecimento aos espíritos desencarnados, daquele momento em diante - e foi assim que este nosso costume nasceu. Obrigada, Iansã :)


Iansã: sua missão, seus aprendizados e os amores que conquistou:


Vida que seguia para a bela Oyá, que carregava no peito uma necessidade de aprender muito mais do já sabia (como já lemos).


Com a benção e poder ganhado de Olorum, a jovem guerreira sentiu-se forte para buscar por novos aprendizados em outros reinos, ciente de que ali em seu cantinho já havia aprendido tudo o que se havia para aprender. E assim como o vento, partiu. Levando consigo a humildade que a fazia brisa para preencher qualquer espaço que pudesse a receber e ensinar.


Mata a fora, Oyá deparou-se com o reino de Ogum, um Orixá (rei) muito querido e que se apaixonou pela beleza, energia e vivacidade daquela jovem que adentrava o seu reino pedindo humildemente para aprender algo que não soubesse.


Iansã foi o grande amor de Ogum (o ferreiro, senhor dos caminhos). Teve com ele nove filhos. Ganhou de Ogum uma poderosa espada e uma vara de cobre, e aprendeu com ele a defender a si mesma e aos justos.


O coração de Oyá se encheu de alegria e, após anos de uma vida em conjunto, a guerreira de alma livre precisou continuar a sua caminhada mata a fora em busca por mais ensinamentos, como pedia o seu coração.


"Como prender o vento?" - pensou Ogum. Que ciente da missão daquela Orixá, aceitou a sua partida (com o coração também partido).


Em promessa, Oyá carregaria Ogum para sempre em seu coração, em gratidão aos ensinamentos, amor e compreensão sobre a sua natureza livre.


Seguindo os passos de Iansã, nos deparamos com a sequência de reis (Orixás) e reinados que a bela guerreira conquistou, durante a sua jornada.


Do rei Oxaguiã (o jovem construtor), ganhou o seu amor e um poderoso escudo. O jovem a ensinou a usá-lo a seu favor e a favor dos seus protegidos. Iansã o amou durante muito tempo e o eternizou em seu coração, em gratidão por tudo o que aquele Orixá havia ensinado. E como o vento, partiu.


Do rei Exú (o justo mensageiro), ganhou também o seu amor (claro!) e o poder sobre o fogo. Aprendeu com ele a como realizar os seus próprios desejos e os dos seus filhos e protegidos, através da magia do bem. Iansã eternizou o amor dela por Exú em seu coração, em gratidão pelo conhecimento e poder recebido, e como a brisa passageira, passou para a sua próxima empreitada!


Do rei Oxóssi (o grande caçador), ganhou o seu mais puro amor! Oxóssi ensinou Iansã novas e aprimoradas técnicas de caça, para assim garantir que sua amada (assim como seus filhos) jamais passassem fome. Deu também a ela o poder de transformar-se em um búfalo (o que a protegeria ainda mais). Iansã amou muito a Oxóssi, e também o eternizou em seu coração, como gratidão pelo tudo o que ele a acrescentou. E partiu na sua missão, como tinha de ser.


Do rei Logun Edé (o senhor das matas), ganhou o seu amor ardente e o direito em tirar das cachoeiras os mais suculentos frutos, para o seu sustento e o de seus filhos. Iansã nunca o esqueceu e, assim como aos demais reis que ela amou, eternizou Logun Edé em seu coração em gratidão.


E então partiu para a sua última e mais intensa passagem: o reino de Xangô.


O Rei Xangô (grande juiz), já conhecia Oyá das suas idas ao reino de Ogum. Há historiadores que contam que Xangô e Oyá já haviam flertado, antes mesmo da passagem da guerreira pelas terras da justiça.


Xangô apaixonou-se por Oyá, que adentrava em seu reino, e posteriormente casaram-se. O rei tinha também mais duas esposas (sistema poligâmico), sendo uma delas a bela Orixá Oxum (que muito ciúmes causou em Iansã).


De Xangô, Iansã teve o amor eterno e, pela primeira vez, também amou eternamente.


Do grandioso e amado rei a bela Oyá ganhou um alto posto de Justiça, o poder do encantamento e o domínio sobre os raios no céu.


Iansã amou Xangô de tal forma, que após a morte do Rei-Juiz pediu à Deus que também a levasse para que pudesse viver na eternidade ao lado do seu grande amor (oooown!) - e assim foi concedido. E por esse motivo Iansã Oyá tem poder, também, sobre os espíritos desencarnados.


Que história, heim :)


Bônus (uma das minhas partes favoritas): O grande feito de Iansã para o poderoso rei Omulú-Obaluaiê


Certa vez o rei Xangô deu uma grande festa em seu reino.


Omulú-Obaluaiê era um rei (Orixá) de um condado vizinho, e o único que não havia sido convidado para a celebração em questão. O motivo: o jovem possuía em todo o seu rosto e corpo marcas advindas da varíola, que tornavam a sua aparência medonha (o que afligia os olhos do rei Xangô).


A caminho da festa o Rei Ogum se deparou com Omulú, e ao saber da injustiça para com o jovem Rei, convalesceu e, teve uma brilhante ideia: criou para Obaluaiê um disfarce, feito de palha, e cobriu-o da cabeça aos pés - assim tornando-o irreconhecível e apto a adentrar a festa de Xangô. Ogum é dos nossos (amigo de todas as horas)!


Timidamente Omulú adentrou ao palácio do rei e, devido às suas "vestes diferenciadas", percebeu que os demais convidados não se aproximavam e o julgavam a distância.


A Rainha Iansã observou, desgostosa, toda aquela cena e convalesceu.


Linda, e altamente charmosa, aproximou-se do retraído rei Omulú-Abaluaiê e iniciou a mais bela dança já feita por ela em toda a sua existência. Todos os presentes abriram espaço para ver aquela bela e ousada apresentação.


Oyá rodava ao redor de Omulú, sorrindo, e o movimento de seu impecável vestido produzia um poderoso vento, que envolvia o rei ao centro por completo, fazendo com que toda a palha que o cobria alçasse voo, vagarosamente, trazendo à tona a real identidade daquele misterioso convidado.


Todos os expetadores se admiraram (Ohhh!!!).


No entanto, assim como a palha - que pairava por todo o reino de Xangô -, o vento mágico de Iansã também fazia com que as feridas da doença que acometia Obaluaiê se desprendessem do seu corpo, livrando-o daquelas chagas.


Conforme saltavam, as feridas transformaram-se em uma chuva de pipoca, que caiu sobre todos os convidados, com as bênçãos de Deus para cada um deles. Cada um dá o que tem, né?


E aos poucos, boquiabertos, todos puderam se admirar com a beleza do rei Omulú, que foi reconhecido como mais belo de toda a Terra (que virada de jogo, majestade!).


Como agradecimento à benevolência de Iansã, o rei Omulú concedeu a ela o poder de domínio sobre todo o seu reino, dando a ela o título de Iansã Balé - a Senhora que tem o domínio sobre os mortos e que com seu eruxim (chicote feito com rabo de boi) afasta os eguns (espíritos de pouca luz) e os domina protegendo a humanidade terrena.


O rei Omulú não se apaixona por Oyá (como conseguiu? rs), contudo tornam-se amigos para toda a eternidade :)


--


Essa é a história resumida que transcrevi sobre minha mãe e guerreira, contada a vocês com todo o meu amor e orgulho pela grandeza de cada passo dado por ela.


Sou muito grata por tê-la em minha vida, principalmente pela sua grandeza de alma e coração como descrito acima.


E o mais bonito de tudo é ver a grandeza do nosso Deus que, lá atrás durante a festa de enterro do pai de Iansã, a reconheceu e a capacitou para se tornar essa nossa grande Orixá, que ainda hoje nos orienta e nos protege na jornada da vida.


Deus é perfeito.

Epahei Oyá!

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